Homem ganha mais que mulher?

Com certa periodicidade aparecem na imprensa as matérias “Mulheres ganham 30% a menos que homens”. Até aí pode ser verdade, apesar de não explicarem corretamente as causas que nos trazem à essa realidade. Porém, no decorrer do texto dessas matérias é fácil encontrar a passagem “mulheres ganham menos para exercer a mesma função que homens”. Aqui é que está o aprofundamento da confusão.

Caso homens ganhassem mais que mulheres para exercer as mesmas funções, um empresário capitalista que visa o lucro iria optar sempre pela contratação de mulheres em detrimento de homens. Racionalmente, se o custo com funcionários é menor, seu lucro será maior.

O que acontece para as manchetes “Mulheres ganham menos que homens” estamparem os jornais? As pesquisas são divulgadas e jornalistas (ou os próprios pesquisadores) agem como jornalistas. Ou seja, pegam o somatório dos salários dos homens e dividem pela massa empregada de homens. Assim, chegam no salário médio do sexo masculino. Fazem o mesmo simplório cálculo para as mulheres. Dessa forma, no agregado, em média, os homens ganham mais que as mulheres.

O grande erro é na explicação dessa diferença. Geralmente, feministas e simpatizantes dizem ser machismo por parte da sociedade. Já outros que tentam explicar tal diferença aludem um menor salário às mulheres pois essas saem de licença maternidade. Ambas explicações equivocadas. Na verdade, caso fosse simplificar a explicação, diria que trata-se de uma questão histórica.

Por mais que jornalistas e pesquisadores insistam que mulheres ganham menos que homens para exercer a mesma função, isso não se confirma na prática. O Barecon pesquisou dezenas de editais de diversos concursos públicos e planos de carreira de empresas privadas (e mistas também) não encontrando nenhum quesito que faça distinção de gênero. Foram pesquisados editais das esferas municipais, estaduais e federal; empresas estatais e autarquias também. A diferença salarial que encontramos dar-se-á na escolaridade. Carreiras de nível superior pagam mais que carreira de nível técnico, que pagam mais que nível fundamental.

Há diferenças também nos planos de carreira (podendo esse ser por desempenho e/ou tempo de casa). Em empresas públicas e privadas quem possui um cargo gerencial ganha mais que aqueles que possuem cargos menores ou mesmo nenhum cargo. Nesse caso, pode ser que um funcionário nível técnico, porém com cargo, ganhe mais que um nível superior. Há também os planos por tempo, onde o funcionário mais antigo ganha mais que um funcionário recém chegado na companhia. Essa última, apesar de ser frequente, também não é regra.

A conta torna-se ainda mais complexa quando inserimos o terceiro setor na equação. Serviços. Comércio. Produtividade. Quanto mais o vendedor vende, maior será sua comissão. Quanto mais um médico atende maior será sua remuneração. Por isso não entramos a fundo nessa questão.

Ou seja, homens ocupam maior quantidade de cargos gerenciais que mulheres (com maior responsabilidade e maior remuneração). Ainda, homens ficam mais tempo trabalhando que mulheres (o que gera maior quantidade de reajustes salariais). Logo, o que deve ser investigado é o motivo do homem ocupar cargos mais altos nos organogramas empresariais e por que permanecem mais tempo no trabalho. Mas dá trabalho elaborar esse estudo. E não fazem o trabalho adequado por ter um alto custo, por ser muito complicado, ou por não saberem mesmo.

A conclusão que chegamos é que homens e mulheres ganham o mesmo exercendo as mesmas funções ou atuando nas mesmos cargos, caso as contas sejam feitas adequadamente.

AINDA, vamos deixar para um segundo momento a questão das mulheres se aposentarem 5 anos antes que os homens. Caso coloque-se na conta, o salário da mulher deveria ter um redutor para chegar nessa igualdade.

Temos aqui uma amostra de um contrato da década de 1920 que permitia mulheres trabalharem desde que seguissem certas condições. Como dissemos, é uma questão histórica. Tal contrato hoje é esdrúxulo, mas fazia algum sentido àquela época. A evolução da mulher ao longo do tempo é estupenda enquanto o homem permanece meio que estagnado. O caminho para o equilíbrio é natural. Não precismos do surgimento de defensores de bandeiras rivais transformando essa questão em mais um conflito nesse já complicado país.

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  1. […] Leia também: Homem ganha mais que mulher? – Parte 1 […]


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