BACEN, pelo PT. Será?

O PT usa 30 segundos so seu programa eleitoral para dizer o seguinte

Marina tem dito que, se eleita, vai dar autonomia ao Banco Central. Parece distante da vida da gente, né?! Parece. Mas não é. Isso significa entregar aos banqueiros um grande poder de decisão sobre a sua vida e da sua família. Os juros que você paga. Seu emprego. Preços e até salários. Ou seja, os bancos assumem um poder que é do presidente e do Congresso, eleitos pelo povo. Você quer dar a eles esse poder?

Confira no vídeo

Vivem desqualificando as pesquisas mas quando essas indicam que um candidato adversário* vem ganhando espaço logo partem para o ataque. No afã de tentar conter a evolução da Marina, o PT volta-se para o velho e habitual lugar comum de defensor dos pobres e demonização da elite, dessa vez, ilustrada pelos banqueiros.

Interessante é voltar num passado bem recente quando o PT assumiu o poder em 2002 e e lembrar que o Lula indicou Henrique Meirelles para presidir o BACEN. Vamos ao resumido currículo dele antes de 2002

1974 – gerente financeiro no Bank Boston Leasing
1980 – vice-presidente de marketing, crédito e operações do Bank Boston Brasil
1981 – presidente do Bank Boston Brasil
1984 – presidente da Bank Boston Corporation
1999 – presidente de Global Banking (área internacional) do FleetBoston’s Global and Wholesale Bank

Quem diria… o PT colocou um banqueiro para gerir o BACEN. Em tempo, extremamente capacitado Meirelles fez tão boa gestão que jamais saiu do cargo (num complicado governo cheio de escândalos) sendo o presidente que por mais tempo ficou no comando do BACEN, 8 anos ( em todo governo Lula).

E para atacar o adversário* que, na teoria, ameaça seu projeto de poder, o PT demoniza a tal autonomia do BACEN, sai espalhando mentiras e faz uso do terrorismo eleitoral.

O que precisa ser dito é que quando fala-se em independência do Banco Central, essa seria uma independência exatamente do governo, do Poder Executivo e dos seus políticos incapacitados que jamais fizeram um curso básico de gestão financeira. Independência do BACEN é deixar a Autoridade Monetária do país livre das influência políticas para executar sua política monetária voltada ao controle da inflação entre outras funções tão importantes quanto. O corpo técnico do BACEN é muito qualificado, mas acaba por ficar engessado dada a interferência.

*adversário pelo menos nesse momento

1 comment so far

  1. Bender on

    Jornal Valor Econômico de 10/09/2014

    Banqueiros são alvo de retórica de candidatas

    A presidente Dilma Rousseff acusou ontem Marina Silva de querer entregar aos banqueiros o poder de decidir a taxa de juros com sua proposta de autonomia do Banco Central. Marina rebateu dizendo que, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, os banqueiros lucraram mais do que seis vezes que no governo Fernando Henrique Cardoso. Pura retórica eleitoral, de um lado e de outro.

    A campanha de Dilma procura vender a ideia de que os bancos gostam de que o BC mantenha os juros básicos altos porque ganham mais, quando a história no governo Lula mostra que os lucros dos bancos cresceram justamente quando o Banco Central praticou taxas de juros mais baixas, empurrando o sistema a operar mais com crédito do que com títulos públicos. O BC de Lula foi presidido por um ex-banqueiro, Henrique Meirelles

    Já Marina lança no ar a ideia de que Lula teria feito uma política econômica na medida para beneficiar banqueiros. É verdade que no período o lucro dos bancos aumentou. É difícil, porém, ligar esse aumento de lucro a alguma política em especial adotada pelo governo Lula que possa ser chamada de “bolsa banqueiro”, como acusou Marina. No geral, o ciclo econômico do governo Lula foi mais favorável do que o de FHC. O lucro das empresas do setor real também cresceu, e os juros pagos pelos clientes que tomam crédito caíram.

    Segundo os números citados por Marina, o lucro dos bancos nos oito anos de FHC foi de R$ 31 bilhões, enquanto que no governo Lula chegou a R$ 199 bilhões. Os valores nominais, porém, não são diretamente comparáveis. Entre o início do governo FHC e o fim do governo Lula, a inflação acumulada pelo IPCA superou 200%.

    Os números do governo FHC também são distorcidos pela crise bancária que se seguiu ao Plano Real, que afetou tanto instituições públicas quanto privadas. Em 1996, por exemplo, o Banco do Brasil registrou prejuízo de quase R$ 8 bilhões. Bancos como Bamerindus e Banespa também tiverem perdas bilionárias.

    Mesmo ajustando pela inflação e prejuízos da crise bancária, há um claro aumento no lucro dos bancos durante o governo Lula. O retorno dos bancos, no entanto, aumentou a despeito de o Banco Central ter reduzido os juros. A média da meta para a taxa Selic caiu de 19,43% ao ano entre 1999 e 2012, primeiros anos do regime de meta de inflação, para 14,86% entre 2003 e 2010.

    No governo FHC, os bancos viviam sobretudo de aplicações de tesouraria, e a baixa de juros empurrou essas instituições para o crédito. A queda dos juros começou no governo FHC. O ambiente também ficou mais favorável para o crédito graças a reformas microeconômicas dos governos FHC e Lula.

    O volume de crédito na economia cresceu de 26% do Produto Interno Bruto (PIB) para 45% do PIB no governo Lula. Os clientes dos bancos também ganharam. O chamado “spread” bancário médio caiu de 31,5 pontos percentuais para 23,5 pontos percentuais. Os juros finais aos tomadores de crédito caíram mais. Mas ainda são os mais altos do mundo, em parte devido à baixa competição entre os bancos e à desaceleração das reformas microeconômicas na área.


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