A questão da Produtividade e as Apostas

O que está acontecendo hoje na economia brasileira é um trade-off desfavorável. Inflação alta e baixo crescimento. A dificuldade não é somente de agora nesses primeiros meses de 2013.

As ferramentas usadas (baixar a Selic, o IPI, outros e etc) são paliativos frequentemente usados por vários dos nossos governos. Podem causar certo impacto num primeiro momento, mas o que percebemos é que torna-se ineficiente no longo prazo.

Há uns 2 anos que o governo vinha baixando juros e cortando impostos. Medidas expansionistas com o objetivo de estimular a economia. Qual o resultado? Pibinho do Mantega.

O problema corretamente diagnosticado é mais de meio caminho andado. A oferta agregada do Brasil foge um pouco ao padrão (positivamente inclinada) ensinado nos livros de Macroeconomia. Por essas bandas tal oferta é praticamente vertical. Rígida. Ou seja, nossa capacidade de produção é dada, pouco sensível à esses estímulos. Estradas, portos e terras são os mesmos dos anos anteriores.

Oferta Inelástica

Um aquecimento na demanda combinada com nossa oferta constante, fatalmente o ajuste será dado no preço, i.e., pressão inflacionária. Então estaria o PIB limitado por restrições físicas? No curto prazo sim. O Capital (estradas, portos, terras) e o Trabalho (outro fator de produção) limitam a produção no curto prazo. Porém, mesmo com tal saturação do capital físico e da mão de obra, pois “estamos em pleno emprego” (todo capital e mão de obra disponíveis já empregados), tais fatores podem ter maior produtividade (relação da produção com os fatores). Fazer mais com o mesmo aumenta a produtividade e o nível de eficiência.

Os salários subiram em média 10% em 2012. Sem um crescimento da produtividade em patamar semelhante há pressão inflacionária pqp de novo.

Tais paliativos acompanhados de estratégias de longo prazo seriam uma boa opção. O problema é estrutural (termo banalizado por políticos discursando em campanhas eleitorais). Fosse levado a sério, o aumento da produtividade seria incentivado. Como? Investimento em capacitação, educação. Claro que não se trata de algo simples, mas é necessário pelo menos um pontapé inicial.

Ainda, a produtividade cresce a taxas decrescentes. O segundo aeroporto tem uma produtividade menor que o primeiro. Na nossa linguagem, as primeiras cervejas nos trariam maior satisfação que as últimas. Mas esse é outro papo no qual a partir de certo ponto a produtividade torna-se decrescente.

E as apostas no Mercado Financeiro?

O cenário ainda é nebuloso para 2013. Em épocas de incerteza, analistas geralmente recomendam cautela. Não fugimos disso. Ficar indexado à Selic pode ser uma boa forma de proteção (ainda vai ganhar do CDI pelo atual descolamento entre os índices).

A Bolsa não parece ter muita força para altos ganhos pois, além de outras questões, ainda sofre com interferências governamentais.

Apostar no Dolar é optar por volatilidade.

A aposta na elevação dos Juros pode ser uma boa. Mas para o acompanhamento desse ativo os dados econômicos divulgados ficam em segundo plano. Como a inflação é a grande questão do momento, basta ficar de olho na popularidade da Dilma. A inflação forte pode fazer com que esse índice comece a cair. Caso ocorra, a chance de aumento dos juros cresce significativamente dado o nosso leniente Banco Central.

1 comment so far

  1. Minha Casa Melhor | Barecon on

    […] de novo na demanda e (sempre) pesados impostos para as empresas. Como chamamos atenção no post anterior, falta estrutura na oferta agregada. Mas o tempo é “curto”. A reeleição é o […]


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