Novo patamar dos juros?

E a Selic caiu mais 25 bps, indo de 7,50% para 7,25% ao ano, com 40% dos diretores do BACEN achando que os cortes já deveriam ter sido cessados nessa última reunião de outubro/2012.

Tal situação indica uma manutenção da taxa nos 7,25% atuais para as próximas reuniões. Mas até onde vai? O comunicado do BACEN dá a entender que os juros ficarão por grande período nesse patamar.

Nota à Imprensa – 170ª. Reunião
“O Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 7,25% a.a., sem viés, por 5 votos a favor e 3 votos pela manutenção da taxa Selic em 7,50% a.a.
Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear.
http://www.bcb.gov.br/?NOTACOPOM170

Como o mercado prevê 5,50% de inflação média pro ano que vem, chegamos nos Juros Reais de 1,75%. Patamar, se não inédito, raro para a economia brasileira.

Quem vive de renda de aplicações financeiras teria uma queda significativa dos seus rendimentos. Já quem paga juros, em geral consumidores e empresas, teria um alívio no orçamento, empréstimos e financiamentos.

Tal cenário sugeriria uma mudança de paradigma na cultura capitalista brasileira de altos juros. Poderíamos estar num processo de migração para o capitalismo norte-americano de baixos juros, onde incentiva-se o investimento na economia real, o empreendedorismo. Caso o yankee queira se aventurar no mercado financeiro, terá que buscar abrigo nas ações das empresas, dado o baixo prêmio dos títulos americanos.

Porém, existe o delay para essa migração. O corte na selic “não chegaria na ponta”. Tal delay aumenta pela alta concentração do setor bancário brasileiro, uma diferença talvez significativa entre a gente e os states. Lembre-se que estamos falando de um horizonte de pelo menos 12 meses.

Fonte: Bloomberg. Elaboração: Barecon.

Pela nota à imprensa o COPOM não vai mexer na taxa mesmo se a inflação se mover para o teto da meta, pelo menos por enquanto. Porém, pelo gráfico dos movimentos da Selic na última década, o histórico de manutenção da taxa não atinge um ano. E os movimentos ficaram mais frenéticos com o Tombini de presida do BACEN.

O Barecon avalia que os juros não devem subir em 2013 e, conforme for o desdobramento do cenário externo, tem alguma chance do Copom retomar o corte na taxa de juros ao longo do próximo ano. Mas existe a chance da inflação bater na bundinha. Aí voltamos ao “normal”.

1 comment so far

  1. […] uns 2 anos que o governo vinha baixando juros e cortando impostos. Medidas expansionistas com o objetivo de estimular a economia. Qual o […]


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