A Previdência e a pirâmide etária

O post anterior gerou algum debate. Não somente por isso (e nem por causa disso), mas cabe um aprofundamento do tema.

A Previdência Social é um seguro no qual o trabalhador é descontado em parte do seu salário durante zentos anos pelo governo para, quando parar de trabalhar, o governo “devolver” tal renda para o cidadão continuar vivendo. Mas não se trata de poupança. Na verdade, a população economicamente ativa (PEA) paga as aposentadorias dos inativos de hoje. Seu filho vai pagar a sua e assim em diante.

Existem muitos autores e especialistas que estudam o tema. Há divergências diversas entre eles. Cada um tem uma corrente de pensamento para a solução (ou tentativa de) da questão. O objetivo aqui, por enquanto, é apenas expor.

Como diversos assuntos, a estrutura etária é apresentada no colégio nas aulas de geografia para moleques que querem jogar bola, curtir um som e pegar a mais gata. Porém, o estudo de tal estrutura e sua evolução é importante para a análise da população de determinada região. No nosso caso, o Brasil.

São 2 grandes grupos apresentados:

  • Ativos
  • Inativos

O primeiro é composto por adultos. Idade aproximadamente entre 16 e 64 anos. Esses são a força de trabalho de uma economia. Geralmente denominados de PEA – população economicamente ativa. O segundo é composto por jovens abaixo dos 15 anos e idosos acima dos 65 anos. Esses não compõem a PEA. Em tese, não possuem renda e vivem da produção dos ativos.

A construção e o estudo da dinâmica das pirâmides podem mostrar que caminho seguir. Se há tendência para o aumento do número de jovens, seria necessário construir mais maternidades, escolas. No caso de se verificar o envelhecimento da população, seria preciso mais lares para a terceira idade, clínicas, médicos. Em ambos os casos, existe a questão da busca pelo equilíbrio previdenciário.

Na escola, anos 1990, nos apresentaram a Pirâmide Etária brasileira, conforme figura a seguir. Nos anos 2000, já com a estabilização do país consolidada, a redução da natalidade acentuou mudança da pirâmide brasileira. O grupo dos ativos está entre as linhas tracejadas.

Fonte: IBGE. Elaboração: Itaú e Barecon

Nos anos 2010 a população brasileira já se encontra com mais ativos que inativos (bônus demográfico). O que explica, pelo menos em parte, a redução do déficit mensurado no início desse ano. Tal bônus favorece o Brasil por pouco mais de 20 anos com auge previsto para meados dos anos 2020. A projeção para esse período é de que a pirâmide assuma forma de “pêra”.

Fonte: IBGE. Elaboração: Itaú e Barecon

Já em meados dos anos 2030, a janela de oportunidades começará a se fechar, caso não haja significativas alterações nas tendências. Nos anos 2040, a alta proporção de idosos será um desafio para o país e, consequentemente, para a Previdência Social. Nos anos 2050, a pirâmide etária brasileira começa a tomar a forma invertida, apesar de ainda contar com mais ativos que inativos.

Fonte: IBGE. Elaboração: Itaú e Barecon

O Brasil está deixando de ter uma pirâmide típica de países menos desenvolvidos com alta natalidade – base larga – e passando para uma pirâmide mais estreita na base, com expansão no grupo dos adultos, pelo aumento da expectativa de vida – característica dos chamados “países centrais”. A verificação mostra que o país está em processo de desenvolvimento.

Nesse médio prazo é provável que tenhamos outras reduções no déficit previdenciário. As estimativas pessimistas são para o “temível” longo prazo com o envelhecimento da população brasileira. Haverá redução da quantidade dos contribuintes e aumento da quantidade dos que recebem o “benefício”, ou seja, a Previdência receberá menos e ainda terá que pagar mais. Papo para os especialistas.

24 comments so far

  1. Andre Bona on

    Na verdade, a pirâmide vai virar losango e depois triângulo equilátero invertido, Bender? É isso?

    • Bender on

      Seria um triângulo isosceles, que é o formato da tal pirâmide no R².
      Na verdade a pirâmide hoje já é uma pêra. As projeções indicam que, no futuro, será uma pirâmide de cabeça pra baixo.

      • Victor on

        Existe alguma nação que tenha chegado a essa extrapolação* da pirâmide de cabeça para baixo?

        *Se chegou, desconsidere o termo extrapolação.

  2. Andre Bona on

    Além do aumento da PEA, devemos considerar também o aumento da mão de obra formalizada… isso também gera esse efeito de aumento da base de arrecadação.

    • Bender on

      Foi isso que apontamos no post anterior.

      • Andre Bona on

        É vero…

  3. Flamengo 1 x 0 Emelec na Lapa on

    […] as benesses de trabalhar no centro da cidade é a saída. Incrivelmente, uma baixa parcela da PEA faz isso. A PEA de Botafogo e Barra também tem opções de […]

  4. Victor on

    Porra, a gente estuda mesmo essa porra mesmo no colégio. Nonsense total (ainda mais que geral decorou e agora ela mudou hahahaha)

    Mas sí, se liga… elas são muito diferentes pelas Regiões do Brasil? Essa porra deve fazer alguma influência também, não?
    No meu bico preconceituso com embasamento empírico do achismo, creio que tem mais velharia no Sul e mais molecada remelenta no Norte/Nordeste.
    Neguinho lá de cima vai ter de trabalhar para bancar branquinho lá de baixo…

    • Andre Bona on

      Neguinho aqui de cima já trabalha pra bancar branquinho de baixo desde a construção de SP…

    • Bender on

      Estava na pag. do IBGE pra fazer o post e vi esses dados. Cara, as piramides sao diferentes pelas regioes do Brasil, mas nao sei se ha influencia nesse aspeto.

      N/NE a mulecada até 5 anos ja esta abaixo dos 10% da populaçao, enquanto os idosos sao 4,6% no N e 7,2% no NE.
      S/SE sao mais envelhecidas mesmo com 8,1% de idosos. E têm menos crianças com menos de 5 anos mesmo: 6,5%.

      Mas reparem no texto que a evoluçao é no sentido dessas regioes terem um padrao ainda mais parecido num futuro proximo.

      Ainda, SP, RJ, MG e RS têm metade da populaçao brasileira. Acho que neguinho e branquinho desses estados bancam neguinho e branquinho de outras regioes.

  5. Andre Bona on

    Se a piramide da França não for uma piramide invertida, então não há, no mundo, ainda, piramides invertidas…

    A de Portugal parece um tijolo… quase isso… retangulo.

  6. Andre Bona on

    E como resolver? Bem, se o conceito ativos pagando pelos inativos deve ser abandonado imediatamente… Esse é o primeiro passo. O projeto que caminha no Brasil, já pressupõe a previdência complementar para os funcionários públicos. Isso cria as contas individuais, o que já é um avanço. Na minha ótica, radicalmente falando, a solução está em CONTAS INDIVIDUAIS + pensões como gastos do governo. Assim que deve ser.

    • Bender on

      ?
      Previdencia Privada?

      • Andre Bona on

        Praticamente. Oq ue está tramitando é que os servidores publicos terão a base de contribuição até o teto do INSS, como na iniciativa privada e poderão contribuir adicionalmente para um fundo de pensão criado exclusivamente para a categoria. Por isso não será “previdência privada”, mas será muito próximo do conceito. Uma previdência com teto e a complementar facultativa via fundo a parte.

  7. Bender on

    “Existe alguma nação que tenha chegado a essa extrapolação* da pirâmide de cabeça para baixo?”

    Extrapolação minha do termo. Nunca vi ninguem usar “pirâmide de cabeça para baixo”. Quando dizem “piramide invertida”, consideram qualquer tipo de piramide ‘nao-perfeita’. Uma em formato de pêra ja seria uma “piramide invertida”.

    As mudanças na piramide de um pais acontecem de forma gradual. Passam pelos formatos de “pêra”, depois uma especie de “pinheiro”, losango… até assumir uma forma retangular. Depois para ficar “de cabeça para baixo”, ocorrera todo o processo inverso. Sao estudos.
    Eu nunca vi uma naçao com a pirâmide alem da forma de um losango. Googlei e achei a Espanha 2005 e Portugal 2005 em forma de pinheiro.

    Malthus elaborou sua teoria catastofrica da populaçao crescer em PG e os alimentos em PA. Dizia ele no séc. XVII ou XVIII que a comida no mundo acabaria. Malthus nao considerou as tecnologias em seu modelo.

    Acho que, assim como a erradicaçao de alimentos, uma “pirâmide de cabeça para baixo” nunca acontecera. Seria necessario considerar outras variaveis no modelo. Numa naçao com uma piramide num formato ja de “pêra de cabeça pra baixo”, talvez haveria um grande processo de migraçao.

    ****
    Agora ha pouco no Globo Reporter mostrou uma cidadezinha do interior de SP com 3 mil habitantes. A reporter disse que a cidade tem 60% de sua populaçao de idosos.

  8. Bender on

    “a gente estuda mesmo essa porra mesmo no colégio. Nonsense total”

    Tenho muitas criticas à grade do sistema educacional brasileiro. Hoje entendo mais pq a mulecada nao gosta de estudar.

    é muita gramatica, oraçoes subordinadas e tempos verbais ao invés de mais leitura e interpretaçao de texto… e até teatro! Nego burro velho nao sabe se expressar.
    é muita funçao inversa e polinomios e NADA de finanças basica! A maioria é completamente analfabeta em finanças.
    é muita citologia e protozoarios ao invés de programas de saude.

    Vale até um post.

  9. Bender on

    Aí está a pirâmide da Europa. O bacana é poder ver a variação sobreposta e o envelhecimento da população em 20 anos. A população europeia tem hoje idade mediana de 42 anos.

    A transferência de renda não é tarefa simples.

    Europa

    • Victor on

      Gritante é a diferença entre mulheres e homens acima dos 80 anos. Serginho ia se dar bemzaço na Europa.

      • Bender on

        HuahuhAUhuhUAhuahua… tem como colocar aquele @inha ou algo parecido pra ele ver o comment?

  10. […] dos países diminua, gerando mais aposentados que trabalhares. Esta situação é grave (link aqui) e já compromete o crescimento da China (link aqui) e joga a Europa em problemas enormes (link […]

  11. Renato on

    A Europa quebrou (exceção da Alemanha, lá o pessoal se aposenta com 67 anos) principalmente por causa da previdência social, países onde o pessoal se aposenta com 50 anos (Itália, Grécia etc…) estão com sérios problemas. Nosso país é pobre, renda per capita 4 vezes menor que os países ricos, mas tem funcionários públicos federais que ganham fora da realidade brasileira, esta aposentadoria complementar do funcionalismo público só vai minimizar, por que é ainda é bom negócio para o funcionário público, pois o fundo entra com uma parte e nós (tesouro) entramos com a outra parte. Já Previdência privada é um engodo, não tem como dar lucro, com o governo taxando…a poupança não da nada, mas pelo menos empata o dinheiro, já a previdência privada da prejuízo. Calculo que a pessoa recebe menos do que aplicou uns 18%. E tem gente que acredita. Tem que acabar com as pensões…tem que acabar com o casamento de mulheres de 20 anos com velhos de 80 anos. Tem que acabar com as filhas solteiras…

    • Bender on

      A Europa quebrou por varios motivos. A questao previdenciaria esta entre eles. Mas dai a ser a “principal causa”… fosse pra chutar, diria que a maior causa dessa crise europeia esta aqui
      https://barecon.wordpress.com/2010/05/24/a-licao-dos-porquinhos/

      Existe um monte de teorias para a solução do problema da Previdencia. Correntes que dissertam sobre idade minina, tempo de serviço, percentuais diversos… e até aquelas mais radicais que querem acabar com o INSS.

      Mas o que mais me interessou no seu comentario foi a passagem:
      “Calculo que a pessoa recebe menos do que aplicou uns 18%”

      Pode mostrar a metodologia do calculo?
      Abs


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