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Mantega na berlinda

Mantega fez uma carnavalzinho anunciando tal medida ontem. O mercado se agitou. Chegou o anúncio que se confirmou não ser nada demais: o prazo dos 6% do IOF para investimento estrangeiro passou de 1 para 2 anos. Agora ha pouco, em outro pronunciamento, dobrou o IOF para pessoa física (de 1,5 pra 3%) para tentar inibir o consumo.

O Ministro aumenta seu descrédito no mercado nacional e internacional. Virou ainda mais chacota e não deve durar muito mais no cargo.

Com a andada dos gringos e residentes, o dólar amanheceu hoje já em R$ 1,59 e fechou o dia em 1,58. Com o diferencial de taxa de juros (pagamos quase 12% contra zero vírgula qualquer coisa % dos States) o Brasil sempre será atrativo.

Baixar os juros significa incentivar o crédito. Essa medida é rejeitada pois o monstro da inflação já está batendo na bunda. Mas não tem muito jeito. Que caiam os juros e também os astronômicos gastos do governo para compensar. O PT tem que entubar o desaquecimento. Não fazendo, corre-se o risco do dólar despencar ainda mais e, além dos gastos, o governo ser obrigado a dar um subsídio para socorrer o exportador.

Alguma crise vem por aí. Só não há como saber se será cambial ou fiscal e seu tamanho.

Novo aumento do IOF pros gringos

Cada vez mais preocupado com o enfraquecimento do dólar (somos inocentes e acreditamos nisso, e não em motivo eleitoreiro), o governo elevou novamente o IOF sobre entrada capital estrangeiro destinado para renda fixa, de 4% para 6% (estava em 2% no início do mês). Além disso, o depósito de margens de garantia por não residentes na BM&F (mercado futuro) passou de 0,38% para 6%.

A melhor medida que o Ministro já providenciou

Guido Mantega taxou a gringalhada para encarecer o investimento no Brasil e tentar reduzir a entrada de capital estrangeiro no país. Quanto mais dólar entra, maior é a oferta de verdinhas aqui e, por consequência, seu preço cai.

Acontece que americano sabe fazer conta. Será que vão deixar os vultosos 10,75% daqui para ficar com 0,25% de lá? Não me pergunte por que, mas a taxa de juros brasileira continua uma das maiores do mundo mesmo o país, hoje, tendo uma baixa percepção de risco.

Talvez a medida até os empurre para aplicações mais longas, mas é difícil apostar numa queda brusca e duradoura dos fluxos. Quanto ao câmbio, se houver algum efeito, deverá ser pontual já que os fundamentos que apreciaram o Real continuam presentes. Além dos já citados diferencial de juro e baixo risco, temos o alto crescimento econômico em relação às economias desenvolvidas.

Como é caro o Big Mac aqui! Mas, por que?

Ontem a revista The Economist publicou seu habitual Big Mac Index. Imediatamente, a mídia repercute a informação. O Globo e a Folha colocam em grandes manchetes nas suas páginas de economia.

Lá pelo 3º, 4º… período da Faculdade os professores de Macroeconomia (e os livros também) citam o Índice Big Mac para exemplificar a “paridade do poder de compra”. O índice pressupõe que por ser o mesmo produto (um Big Mac é um Big Mac em qualquer lugar do mundo) o preço deveria ser o mesmo que o cobrado nos EUA.

Portanto, quando o preço do sanduba no país X é transformado em dólares pela taxa de câmbio correspondente, podemos verificar se a moeda de X está valorizada ou não. É uma das trilhares formas de ver o câmbio.

Paridade americana

O Big Mac no Brasil é um dos mais caros do mundo. No patamar de Suécia e 31% mais caro que nos EUA, indicando a valorização do Real frente ao Dólar.  Com o peso muito desvalorizado verifica-se também porque o Big Mac na Argentina é o mais barato entre os pesquisados (viagem para Recife custa o dobro de Buenos Aires).

Mas tal índice deixa a desejar. A própria revista britânica aponta para o fato:

The bulk of a burger’s cost depends on local inputs such as rent and wages

Chamou a atenção o “wages”. Apesar do preço do burger estar no mesmo patamar, o nível dos salários no Brasil é bem diferente da Suécia. O que ninguém explica é o por que da discrepância. Por que aqui o Big Mac é tão caro? A revista fala da questão dos juros altos:

The Brazilian real is one of the few emerging-market currencies that is trading well above its Big Mac benchmark. With interest rates high—the policy rate now stands at 10.75%—Brazil has attracted lots of attention from yield-hungry investors.

É um fator importante, mas não creio que seja o ponto central. A resposta para a questão é a mesma de sempre, de qualquer produto feito aqui: tributação. Enquanto nos EUA os produtos sofrem em média taxação de 10%, aqui passa dos 30%. Nem McDonald’s, nem ninguém, consegue escapar de uma das maiores cargas de impostos do mundo.

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