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Medidas do governo para aquecer o consumo
Dezembro chegou. Papai Noel batendo a porta. Depois de reduzir em meio ponto (de 11,5% para 11%) a SELIC, o governo soltou as novas medidas e explanou para onde apontou suas armas: o desaquecimento.
Medidas adotadas
- Redução do IPI para linha branca. Fogões: de 4% para zero; refrigeradores: de 15% para 5%; lavadoras de roupa: de 20% para 10%; tanquinho (seja lá o que for): de 10% para zero
- Redução de IOF para o financiamento à pessoa física de 3,0% para 2,5%;
- Redução de PIS/Cofins para massas (trigo, pão) de 9,25% para zero. Teremos rabanada;
- Redução do IOF para investidor estrangeiro que investir na bolsa e debêntures (com prazo acima de quatro anos) de 2% para zero;
A redução do IPI para linha branca é o mesmo procedimento adotado ano passado quando o país teve um forte crescimento (também por conta da fraquíssima base 2009).
Já a redução de meio purça do IOF pra pessoa física mostra a mudança do pensamento do governo com relação à primeira metade do ano, quando o imposto dobrou de 1,5% para 3%. O IOF pros gringos também já abordamos e a conclusão é semelhante.
As medidas são focadas em reduções das alíquotas dos impostos para estimular o consumo interno e evitar uma desaceleração mais forte da atividade doméstica, em vista dos sinais de maior contaminação da economia brasileira pelo contexto econômico global desfavorável.
O governo quer garantir um crescimento de 5% em 2012, segundo ele mesmo. Dado que já conta com o teto da meta de inflação, parece não estar muito preocupado com o antigo monstro. Porém tais medidas para o Natal 2011 podem aquecer os preços e comprometer o superávit primário em 2012.
Mantega na berlinda
Mantega fez uma carnavalzinho anunciando tal medida ontem. O mercado se agitou. Chegou o anúncio que se confirmou não ser nada demais: o prazo dos 6% do IOF para investimento estrangeiro passou de 1 para 2 anos. Agora ha pouco, em outro pronunciamento, dobrou o IOF para pessoa física (de 1,5 pra 3%) para tentar inibir o consumo.
O Ministro aumenta seu descrédito no mercado nacional e internacional. Virou ainda mais chacota e não deve durar muito mais no cargo.
Com a andada dos gringos e residentes, o dólar amanheceu hoje já em R$ 1,59 e fechou o dia em 1,58. Com o diferencial de taxa de juros (pagamos quase 12% contra zero vírgula qualquer coisa % dos States) o Brasil sempre será atrativo.
Baixar os juros significa incentivar o crédito. Essa medida é rejeitada pois o monstro da inflação já está batendo na bunda. Mas não tem muito jeito. Que caiam os juros e também os astronômicos gastos do governo para compensar. O PT tem que entubar o desaquecimento. Não fazendo, corre-se o risco do dólar despencar ainda mais e, além dos gastos, o governo ser obrigado a dar um subsídio para socorrer o exportador.
Alguma crise vem por aí. Só não há como saber se será cambial ou fiscal e seu tamanho.
Lula fez a festa. Dilma paga a conta
No final da semana passada o governo anunciou o corte de R$ 50 bi no orçamento de 2011. O maior desde que o PT chegou ao poder.
A primeira medida foi a suspensão dos concursos públicos. Além dos já aprovados terem que esperar, novos concursos nesse ano na esfera federal serão raros. A conta chega. Os chamados concurseiros, que traçaram um planejamento de estudo e têm uma série de gastos com o projeto, terão que esperar.
Não tem jeito. É a sinalização do ajuste fiscal. A preocupação é com o superavit primário. Ou controla-se mais rigorosamente os gastos ou arrecada-se mais. Ou pior, ambos. O reajuste da tabela do Imposto de Renda ou o aumento de alguma alíquota de algum imposto, será o assunto abordado daqui a pouco.
Novo aumento do IOF pros gringos
Cada vez mais preocupado com o enfraquecimento do dólar (somos inocentes e acreditamos nisso, e não em motivo eleitoreiro), o governo elevou novamente o IOF sobre entrada capital estrangeiro destinado para renda fixa, de 4% para 6% (estava em 2% no início do mês). Além disso, o depósito de margens de garantia por não residentes na BM&F (mercado futuro) passou de 0,38% para 6%.
Guido Mantega taxou a gringalhada para encarecer o investimento no Brasil e tentar reduzir a entrada de capital estrangeiro no país. Quanto mais dólar entra, maior é a oferta de verdinhas aqui e, por consequência, seu preço cai.
Acontece que americano sabe fazer conta. Será que vão deixar os vultosos 10,75% daqui para ficar com 0,25% de lá? Não me pergunte por que, mas a taxa de juros brasileira continua uma das maiores do mundo mesmo o país, hoje, tendo uma baixa percepção de risco.
Talvez a medida até os empurre para aplicações mais longas, mas é difícil apostar numa queda brusca e duradoura dos fluxos. Quanto ao câmbio, se houver algum efeito, deverá ser pontual já que os fundamentos que apreciaram o Real continuam presentes. Além dos já citados diferencial de juro e baixo risco, temos o alto crescimento econômico em relação às economias desenvolvidas.
Pequenas Igrejas, grandes negócios
Aquecido pela busca da salvação convicção religiosa, esse é um mercado que cresce a cada dia. Onde havia um cinema, hoje há uma igreja.
Abrir um bar, uma agência, um escritório de advocacia ou uma construtura é deveras complicado. Além de todas as exigências específicas de cada setor e do tino necessário inerente ao negócio, há uma pesada burocracia para entrar no mercado. Não acontece com igrejas.
Pré-requisitos não são necessários. O Dogma é seu. Basta um endereço (pode ser a garagem da sua casa) e um CNPJ. Pronto. Já está habilitado a abrir conta bancária e realizar qualquer aplicação financeira sem ter que recolher IR ou IOF. Colocando seu carro também em nome da igreja, estarás isendo do IPVA. Impostos como IPTU, ITR (imóvel rural), ISS, entre outros, também não recolherás.
A receita das igrejas, doações, não são tributadas. É justo. Mas o mínimo que se pode conceituar é que igreja é uma forma de associação que presta um tipo de serviço.
Nossa Constituição diz que “Somos todos iguais perante a Lei”, mas perante ao Fisco, parece que não.
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