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A Inflação de Abril
Ontem saiu o dado da inflação medida pelo IPCA, do IBGE, que o governo utiliza como sendo o índice oficial: 0,64% para abril, ante o 0,21% de março. A aceleração triplicou aproximadamente de um mês para o outro.
Os jornais da noite de ontem colocaram o cigarro, feijão e empregada doméstica como os “culpados” pela aceleração. Isoladamente, estão certos, pois desmembra-se o índice e apura-se os maiores percentuais de aumento. Porém, deve-se considerar o peso de tais produtos na cesta do IPCA.
No todo, não faz uma diferença substancial a variação do preço do cigarro em abril. O mesmo número divulgado ontem, quando anualizado, caiu de 5,24% em março para 5,10% em abril. Para quem acompanha de longe, pode verificar os grandes grupos, como Alimentação e Bebidas, Transportes e Habitação, que possuem as maiores participações no índice.
Juros em queda é meio que normal ter uma pressão nos preços. Mas é meio que surpreendente também como nenhum dos especialistas cita a alta do dólar que já ocorreu em março e continuou em abril. De R$ 1,72 para R$ 1,91. A desvalorização cambial do Real frente ao Dólar de mais de 10% nesses 2 últimos meses encarece a produção, caros colegas.
É Renda Fixa, segundo o Ministro
No início desse mês de março o Copom cortou os juros em 75bps (decisão não unânime) surpreendendo grande parte do mercado. A decisão reduz o diferencial de juros SELIC-FEDFUND e contém, em parte, a apreciação cambial, o que acaba por impulsionar a atividade econômica a um ritmo mais acelerado. Além disso, podemos considerar que a faixa da inflação entre 4,5% e 6,5% deve estar sendo bem aceita tanto pelo Bacen quanto pelo governo.
Já em meados do mês, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou publicamente que o câmbio no país é administrado e reiterou que irá adotar várias medidas para conter a valorização do real, que vem prejudicando a indústria nacional. Além disso, o Ministro informou que a taxa Selic (9,75% hoje) vai convergir para o nível da TJLP, atualmente em 6%.
Nesse sentido, o dólar saiu de R$ 1,71 no início do mês e opera acima de R$ 1,81 hoje, 25 dias depois. Uma valorização da moeda americana frente ao Real de 5,85% nesse período.
Porém, apostar no dólar é pra quem tem sangue frio. Com tal preocupação do governo com a indústria, a moeda americana deve retomar sua tragetória de depreciação em breve. Para quem investe em Títulos Públicos, a hora é de arriscar mais em papéis pré-fixados (LTN, NTN-F), já que os indexados aos juros (LFT) vão cair. Já quem gosta de fundos, deve sair paulatinamente dos DI e buscar alguns de Renda Fixa. Tudo isso foi o que o ministro disse. Quem somos nós…
A Meta é o Teto
O Brasil trabalha com metas de inflação, um excelente sistema de controle dos preços e imprescindível para a administração do governo hoje.
O Banco Central do Brasil – BC – estabelece a meta e seus limites. Para 2011 a meta fixada foi de 4,50% com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. O que torna uma inflação de 6,50% “aceitável”.
No Relatório de Inflação do 3º Trimestre o BACEN diz que
“Expectativas de Mercado
Relatório de Mercado de dois de setembro, as medianas das projeções relativas às variações anuais do IPCA para 2011 e 2012 atingiram 6,4% e 5,3%, respectivamente [...]“
http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2011/09/ri201109c2p.pdf
O BC já trabalha no limite superior, o chamado Teto, quando deveria trabalhar com o “centro da meta” (pleonasmo utilizado pelo próprio BC).
No final do ano, os governantes vão dizer que, formalmente, a inflação ficou “dentro da meta”, o que estará certo caso não estoure os 6,50%. Mas é fato que a inflação foi (será) acima do esperado em 2011. Quem faz compras no mercado sabe disso.
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