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Bradesco mama no IPVA
O Governo do Estado do RJ dá um deconto de 8% para quem opta em pagar à vista o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores.
A Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro informa que o desconto do IPVA 2013 será de 8% para os proprietários de veículos que efetuarem o pagamento do imposto em cota única. [...]
http://www.rj.gov.br/web/sefaz/exibeconteudo?article-id=1368608
No site do Bradesco tem duas opções para pagar o IPVA (exemplo: valores arredondados): COTA INTEGRAL: R$ 635 (IPVA 387 + DPVAT 106 + Licença 102 + CRLV 41) ou COTA 1: R$ 293 (IPVA 140 + DPVAT 106 + Licença 34 + CRLV 14). O calendário de pagamento indica o parcelamento em 3 vezes e, como pode-se perceber pelos valores que saem do site do Bradesco, apenas o DPVAT é sempre pago à vista. O IPVA e as outras taxas podem ser parceladas, ao passo que podemos supor (pois os valores não são mostrados no site) que as COTA 2 e COTA 3 sairão por R$ 188 cada (IPVA 140 + Licença 34 + CRLV 14)
Caso o proprietário queira parcelar vai pagar R$ 669 (293 + 2 x 188) ao término do período. Pagando à vista, teria um desconto efetivo de 5% ao invés dos 8% anunciados, devido às taxas (fixas) que não entram no desconto.
Porém, ao parcelar (e perder o desconto) o cidadão, na verdade, paga um financiamento ao banco. Ao pagar a COTA 1, o saldo restante é R$ 342 (635 – 293), que dividido em 2 x 188, leva à uma taxa de juros de 6,5% ao mês (taxa que pode chegar a quase 9% dependendo do valor do carro).
É o Bradescão metendo a mão nesse parcelamento. O banco está financiando um imposto veladamente. E cobrando caro por isso. É mais vantajoso para o proprietário do auto no exemplo citado recorrer à um empréstimo no banco (pode ser o próprio Bradesco!) e pagar à vista. Provavelmente vai conseguir uma taxa de juros menor que essa camuflada.

Todo mundo faz
Caso tenha grana para pagar à vista apenas 1 dos impostos do inicio do ano, a dica é optar pelo IPVA. O IPTU, por exemplo, tem uma taxa de juros mais baixa e é muito mais transparente na sua forma de cobrança, onde a Prefeitura envia o carnê diretamente ao cidadão, sem intermediação de bancos.
* o texto foi alterado do original publicado para correção das contas apresentadas
Como conversar com o gerente da sua conta
André Bona é consultor de investimentos e dissertou no Open-Bar sobre as conversas e negociações para alternativas de investimentos com os gerentes dos bancos de varejo, os vendedores dessas lojinhas.
Por André Bona
1) Pergunte sobre CDB. Ele (o gerente) vai te dizer. Aí vc pergunta se realmente vale a pena com juros caindo. Deixa ele responder e prepare suas risadas.
No CDB, vc pode falar pra ele o seguinte: peça a taxa. Ele vai te dar, digamos, 87,5% do CDI. Aí vc fala que tem em outro banco a 100% do CDI. Por que o outro banco paga mais do que ele? Aí ele vai falar que o BB (por exemplo) é seu porto seguro. Aí vc diz: Mas quanto é a garantia do FGC? Se ele souber o que é FGC, pode nao lembrar do valor. Se lembrar do Valor, terá que usar outro argumento. Diversão garantida!
2) Pergunte depois sobre Previdência Privada (ele vai adorar, porque tem meta disso). Aí ele vai dizer que PGBL é pra quem faz declaração completa (de Impost de Renda) e VGBL é um “investimento”. Aí vc pergunta sobre a taxa de carregamento de quanto é. Se tiver e for de 3 ou 4%, significa que vc aplica e demora seis meses pra empatar o que aplicou. Tipo, vc aplica 100, mas 4 é taxa e 96 é seu. Sendo que já existe a taxa de adm. Se ele te arrumar um sem carregamento, é porque terá carregamento na saída, caso vc resgate em prazo inferior a 3 ou 4 anos por exemplo. Se fode. Dai vc pergunta sobre a tributação. Ele vai te dar duas formas, uma que começa com 35% e vai regredindo até 10% (essa ultima apenas depois do 10o. ano). Mas essa conta é PARA CADA APORTE e não para o total do tempo que vc tá contribuindo. Ou seja, até 4 anos, vc paga acima de 25%. Tá fodido. Lembrando que um fundo de renda fixa ou um outro ativo de RF começa com 22,5% e vai caindo até 15% em 2 anos. Previdência dá pra se divertir bastante. Porque ele vai querer vender essa merda.
3) Agora se vc quiser se divertir mesmo, diga que quer investir em titulos publicos. E se acha melhor a NTN-B (IPCA + sei lá, 5% aa.), LTN (pré-fixada) ou LFT (pós fixada, selic). Ele nao sabe nem o que é nem como compra essa merda.
*Nota Barecon: Tesouro Direto
4) Pode perguntar sobre Seguro de Vida e também o seguinte: cara, eu gostaria de contratar um seguro de vida resgatável. Ele vai dizer que não existe. Aí vc pega ele bonito (por exemplo): BB vende seguros da Mapfre. A Mapfre possui um seguro resgatável irado! Mas o BB nao vende essa modalidade. E detalhe que o BB é parceiro da Mapfre, cuja “fusão” criou o Grupo Segurador. Mas essa modalidade não fica disponível no canal banco, porque banco é canal de varejo, mas em qq corretora, vc compra.
Santander: Taxas de Juros
Recebi o panfleto ao lado de uma simpática moça, em dia útil e horário comercial, na avenida mais movimentada do centro da cidade.
Lembrei daqueles papeizinhos “Dinheiro Fácil” que mal-encarados entregavam há pouco tempo. Achei bacana, nessa onda de queda dos juros, o Banco Santander assumir sua posição de agiota legalizado.
Como é de praxe nesses panfletos da agiotagem formal, não estão explícitas as taxas de juros para esses empréstimos. O Barecon se deu ao trabalho de jogar numa planilha todos os montantes, prazos e prestações desse panfleto para cada uma das 3 categorias expostas para, dessa forma, chegar na taxas cobradas.
Taxa de Juros é função, entre outras variáveis, do Risco, com relação direta. Ou seja, quanto maior o risco maior a taxa praticada.
Para o Santander, o funcionário municipal é o melhor pagador. Nenhum desses empréstimos para quem trabalha na Prefeitura do Rio, em qualquer prazo e montante, passam dos 2% ao mês. Já para os empregados do governo do estado, todas as taxas ficam pouco acima de 2,5% ao mês. E quem recebe seus proventos pela Previdência Social tem uma dispersão maior das taxas, que vão de 2,3% até 6,7% ao mês. É a face cruel do mercado, o aposentado tem menos tempo para pagar o empréstimo, o que acaba por refletir na taxa.
O ponto central nem é o perfil dos clientes que o Santander deseja atingir, mas o nível dessas taxas de juros* de hoje depois da panaceia alardeada de redução dos mesmos. Mudou alguma coisa?
* Tais taxas já são mais baixas pois os 3 grupos acima recebem do funcionalismo público, onde o risco de calote é menor.
Xiii… Governo no controle
Os bancos controlados pelo governo iniciam movimento de queda das taxas de juros. Pelo menos foi o anunciado. A manchete principal do Globo de hoje é essa.
Resta esperar e ver se vai mesmo ocorrer tal queda por parte do Banco do Brasil, banco de capital misto, porém com controle do governo, e da Caixa Econômica Federal (banco público).
A intenção dessa forçada dos mandatários do país é diminuir o spread bancário e fazer com que outros gigantes, como Bradesco, Itaú, Santander façam o mesmo. A medida incentiva o consumo por ser mais fácil tomar empréstimo.
Até aí tudo bem. Num primeiro momento todo mundo fica feliz. O caboclo vai se endividar mais e, abaca mesmo, aquecendo a economia. Heterodoxos gozam de felicidade. Eu também serei beneficiado nessa primeiro momento.
Porém, a contrapartida é a queda nas receitas dos bancos e, consequentemente, dos seus lucros. Sair de uma cobrança de 14% para 3% ao mês é um movimento grande. Se os bancos passarem dificuldade, vai deixar quebrar ou eu vou salvá-los de novo?
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