Archive for March, 2012|Monthly archive page

Eike vendeu, contraiu investimentos, ou só quer ficar mais rico?

Sharing

Nessa semana um grupo árabe adquiriu participação de quase 6% da holding do empresário brasileiro. A notícia causou algum reboliço no mercado.

É a primeira vez que a EBX tem parte de seu capital dividido. Assim, Eike agora tem de fato um parceiro, minoritário claro. Vale lembrar que as suas subsidiárias OGX (petróleo e gás), OSX (plataformas), MMX (mineração), LLX (logística) e MPX (energia) já tinham capital aberto.

Algumas mídias noticiaram com ar de dramaticidade falando apenas em venda da EBX. Já outras atribuíram a alcunha de investimento na EBX. Outras ainda especulam sobre o propósito de Eike que seria ser o homem mais rico do mundo.

Qual está correta? Bom, a primeira omite a palavra FATIA em sua manchete. A terceira é um pouco sensacionalista, mas também é correta pois o empresário já deixou a entender esse seu desejo. A segunda é mais precisa, pois disserta exatamente sobre a importância de uma parceria.

Sim, Eike vendeu parte de sua empresa, atraindo investimentos, o que o ajuda a aumentar seu patrimônio. Tal mecanismo trouxe um sócio para pensar junto, crescer e fortalecer a corporação.

Como diria Caetano, isso é lindo.

É Renda Fixa, segundo o Ministro

No início desse mês de março o Copom cortou os juros em 75bps (decisão não unânime) surpreendendo grande parte do mercado. A decisão reduz o diferencial de juros SELIC-FEDFUND e contém, em parte, a apreciação cambial, o que acaba por impulsionar a atividade econômica a um ritmo mais acelerado. Além disso, podemos considerar que a faixa da inflação entre 4,5% e 6,5% deve estar sendo bem aceita tanto pelo Bacen quanto pelo governo.

Já em meados do mês, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou publicamente que o câmbio no país é administrado e reiterou que irá adotar várias medidas para conter a valorização do real, que vem prejudicando a indústria nacional. Além disso, o Ministro informou que a taxa Selic (9,75% hoje) vai convergir para o nível da TJLP, atualmente em 6%.

Nesse sentido, o dólar saiu de R$ 1,71 no início do mês e opera acima de R$ 1,81 hoje, 25 dias depois. Uma valorização da moeda americana frente ao Real de 5,85% nesse período.

Porém, apostar no dólar é pra quem tem sangue frio. Com tal preocupação do governo com a indústria, a moeda americana deve retomar sua tragetória de depreciação em breve. Para quem investe em Títulos Públicos, a hora é de arriscar mais em papéis pré-fixados (LTN, NTN-F), já que os indexados aos juros (LFT) vão cair. Já quem gosta de fundos, deve sair paulatinamente dos DI e buscar alguns de Renda Fixa. Tudo isso foi o que o ministro disse. Quem somos nós

A Previdência e a pirâmide etária

O post anterior gerou algum debate. Não somente por isso (e nem por causa disso), mas cabe um aprofundamento do tema.

A Previdência Social é um seguro no qual o trabalhador paga parte do seu salário durante zentos anos ao governo para, quando parar de trabalhar, o governo “devolver” tal renda para o cidadão continuar vivendo.

Existem muitos autores e especialistas que estudam o tema. Há divergências diversas entre eles. Cada um tem uma corrente de pensamento para a solução (ou tentativa de) da questão. O objetivo aqui, por enquanto, é apenas expor.

Como diversos assuntos, a estrutura etária é apresentada no colégio nas aulas de geografia para moleques que querem jogar bola, curtir um som e pegar a mais gata. Porém, o estudo de tal estrutura e sua evolução é importante para a análise da população de determinada região. No nosso caso, o Brasil.

São 2 grandes grupos apresentados:

  • Ativos
  • Inativos

O primeiro é composto por adultos. Idade aproximadamente entre 16 e 64 anos. Esses são a força de trabalho de uma economia. Geralmente denominados de PEA – população economicamente ativa. O segundo é composto por jovens abaixo dos 15 anos e idosos acima dos 65 anos. Esses não compõem a PEA. Em tese, não possuem renda e vivem da produção dos ativos.

A construção e o estudo da dinâmica das pirâmides podem mostrar que caminho seguir. Se há tendência para o aumento do número de jovens, seria necessário construir mais maternidades, escolas. No caso de se verificar o envelhecimento da população, seria preciso mais lares para a terceira idade, clínicas, médicos. Em ambos os casos, existe a questão da busca pelo equilíbrio previdenciário.

Na escola, anos 1990, nos apresentaram a Pirâmide Etária brasileira, conforme figura a seguir. Nos anos 2000, já com a estabilização do país consolidada, a redução da natalidade acentuou mudança da pirâmide brasileira. O grupo dos ativos está entre as linhas tracejadas.

Fonte: IBGE. Elaboração: Itaú e Barecon

Nos anos 2010 a população brasileira já se encontra com mais ativos que inativos (bônus demográfico). O que explica, pelo menos em parte, a redução do déficit mensurado no início desse ano. Tal bônus favorece o Brasil por pouco mais de 20 anos com auge previsto para meados dos anos 2020. A projeção para esse período é de que a pirâmide assuma forma de “pêra”.

Fonte: IBGE. Elaboração: Itaú e Barecon

Já em meados dos anos 2030, a janela de oportunidades começará a se fechar, caso não haja significativas alterações nas tendências. Nos anos 2040, a alta proporção de idosos será um desafio para o país e, consequentemente, para a Previdência Social. Nos anos 2050, a pirâmide etária brasileira começa a tomar a forma invertida, apesar de ainda contar com mais ativos que inativos.

Fonte: IBGE. Elaboração: Itaú e Barecon

O Brasil está deixando de ter uma pirâmide típica de países menos desenvolvidos com alta natalidade – base larga – e passando para uma pirâmide mais estreita na base, com expansão no grupo dos adultos, pelo aumento da expectativa de vida – característica dos chamados “países centrais”. A verificação mostra que o país está em processo de desenvolvimento.

Nesse médio prazo é provável que tenhamos outras reduções no déficit previdenciário. As estimativas pessimistas são para o “temível” longo prazo com o envelhecimento da população brasileira. Haverá redução da quantidade dos contribuintes e aumento da quantidade dos que recebem o “benefício”, ou seja, a Previdência receberá menos e ainda terá que pagar mais. Papo para os especialistas.

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.