Empregadas: manobra governo
Muito falou-se sobre a ampliação dos direitos trabalhistas das empregadas domésticas.
Forçam os patrões a pagar mais imposto (aumento da arrecadação) e, trabalhando formalmente, a empregada não receberá sua Bolsa Família, traduzindo um refresco nos gastos do Estado.
O governo ganha nas duas pontas e ainda sai como bom moço ao “defender os direitos dos trabalhadores”. Grande tacada!
Ah sim! A medida protegerá as trabalhadoras domésticas? Ou aumentará o desemprego? Enfim, será eficaz para o bem estar social? Alguém se importa? De qualquer forma, a conferir.
Driblando a lei insensata
Organizadores de eventos distribuem panfletos (alguns chamam de flayers) com os dizeres: “com esse 50% de desconto”.
Tais flayers estão se popularizando. Estão disponíveis em bares, restaurantes, lanchonetes ou na portaria do seu prédio. Geralmente na região onde ocorre o evento. Pode até chegar no seu email. Tão perto, que são distribuídos inclusive na fila da bilheteria!
Claro que ninguém é louco de conceder desconto de tal magnitude e destruir sua margem de lucro.
Devido à lei da meia entrada para estudantes o preço do ingresso passa de x a 2x. A produção não pode precificar corretamente, se não vagabundo com carteirinha de estudante (verdadeira ou falsa) vai querer pagar x/2. Como o desconto não é cumulativo, ambas partes ficam com respaldo.
Os organizadores não saem no prejuízo. Estudantes e idosos não precisam usar o expediente da documentação e a lei burra, na prática, morre. Parabéns às Produções que estão aplicando um olé na legislação que não deveria existir.
O PIBinho 2012
Com grande atraso vamos registrar o PIB brasileiro do ano passado.
O (ainda) Ministro Mantega, que no ano passado falava em pibão com crescimento de 4% a 5%, culpou o cenário externo pelo pibinho brasileiro em 2012 e, após anunciar que o governo fará novas desonerações tributárias este ano, “garantiu” que em 2013 o crescimento da economia brasileira ficará entre 3% e 4%. Você leva fé?
Além de ser inferior aos 2,7% de 2011 e o menor desde 2009 (quando houve queda de -0,3%), o PIB brasileiro de 2012 de 0,9% ficou abaixo inclusive das apostas do mercado (por volta de 1%) e indicou que o crescimento da economia brasileira em 2013 também pode ser menor do que o previsto atualmente (3%).
O ministro da Fazenda é fraco e, dessa forma, estimula qualquer um a falar sobre economia. Assim, logo após a divulgação do pibinho de 0,9%, a presidenta Dilma disse que o Brasil não sofre mais tão fortemente os efeitos das crises econômicas ao redor do mundo pois controlou a inflação dentro do intervalo da meta, reduziu o desemprego e tem US$ 370 bi de reservas. Tudo é verdade.
Basta omitir o controle de preços de alguns setores da economia (interferindo na eficiência das empresas), o aumento dos gastos de custeio governamentais e o custo de manutenção das reservas. Claro! As eleições são logo ali.
Bradesco mama no IPVA
O Governo do Estado do RJ dá um deconto de 8% para quem opta em pagar à vista o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores.
A Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro informa que o desconto do IPVA 2013 será de 8% para os proprietários de veículos que efetuarem o pagamento do imposto em cota única. [...]
http://www.rj.gov.br/web/sefaz/exibeconteudo?article-id=1368608
No site do Bradesco tem duas opções para pagar o IPVA (exemplo: valores arredondados): COTA INTEGRAL: R$ 635 (IPVA 387 + DPVAT 106 + Licença 102 + CRLV 41) ou COTA 1: R$ 293 (IPVA 140 + DPVAT 106 + Licença 34 + CRLV 14). O calendário de pagamento indica o parcelamento em 3 vezes e, como pode-se perceber pelos valores que saem do site do Bradesco, apenas o DPVAT é sempre pago à vista. O IPVA e as outras taxas podem ser parceladas, ao passo que podemos supor (pois os valores não são mostrados no site) que as COTA 2 e COTA 3 sairão por R$ 188 cada (IPVA 140 + Licença 34 + CRLV 14)
Caso o proprietário queira parcelar vai pagar R$ 669 (293 + 2 x 188) ao término do período. Pagando à vista, teria um desconto efetivo de 5% ao invés dos 8% anunciados, devido às taxas (fixas) que não entram no desconto.
Porém, ao parcelar (e perder o desconto) o cidadão, na verdade, paga um financiamento ao banco. Ao pagar a COTA 1, o saldo restante é R$ 342 (635 – 293), que dividido em 2 x 188, leva à uma taxa de juros de 6,5% ao mês (taxa que pode chegar a quase 9% dependendo do valor do carro).
É o Bradescão metendo a mão nesse parcelamento. O banco está financiando um imposto veladamente. E cobrando caro por isso. É mais vantajoso para o proprietário do auto no exemplo citado recorrer à um empréstimo no banco (pode ser o próprio Bradesco!) e pagar à vista. Provavelmente vai conseguir uma taxa de juros menor que essa camuflada.

Todo mundo faz
Caso tenha grana para pagar à vista apenas 1 dos impostos do inicio do ano, a dica é optar pelo IPVA. O IPTU, por exemplo, tem uma taxa de juros mais baixa e é muito mais transparente na sua forma de cobrança, onde a Prefeitura envia o carnê diretamente ao cidadão, sem intermediação de bancos.
* o texto foi alterado do original publicado para correção das contas apresentadas
Dilma critica o FMI
Pres. Dilma:
- Nós já vivemos isso. O Fundo Monetário Internacional impôs um processo que chamou de ajuste, agora se diz austeridade. Tínhamos de cortar todos os gastos. Asseguravam que assim chegaríamos a um alto grau de eficiência [...]
E se não chegamos, estamos bem. Graças ao austero Plano Real, no qual fizemos os ajustes necessarios.
Novo patamar dos juros?
E a Selic caiu mais 25 bps, indo de 7,50% para 7,25% ao ano, com 40% dos diretores do BACEN achando que os cortes já deveriam ter sido cessados nessa última reunião de outubro/2012.
Tal situação indica uma manutenção da taxa nos 7,25% atuais para as próximas reuniões. Mas até onde vai? O comunicado do BACEN dá a entender que os juros ficarão por grande período nesse patamar.
Nota à Imprensa – 170ª. Reunião
“O Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 7,25% a.a., sem viés, por 5 votos a favor e 3 votos pela manutenção da taxa Selic em 7,50% a.a.
Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear.
Como o mercado prevê 5,50% de inflação média pro ano que vem, chegamos nos Juros Reais de 1,75%. Patamar, se não inédito, raro para a economia brasileira.
Quem vive de renda de aplicações financeiras teria uma queda significativa dos seus rendimentos. Já quem paga juros, em geral consumidores e empresas, teria um alívio no orçamento, empréstimos e financiamentos.
Tal cenário sugeriria uma mudança de paradigma na cultura capitalista brasileira de altos juros. Poderíamos estar num processo de migração para o capitalismo norte-americano de baixos juros, onde incentiva-se o investimento na economia real, o empreendedorismo. Caso o yankee queira se aventurar no mercado financeiro, terá que buscar abrigo nas ações das empresas, dado o baixo prêmio dos títulos americanos.
Porém, existe o delay para essa migração. O corte na selic “não chegaria na ponta”. Tal delay aumenta pela alta concentração do setor bancário brasileiro, uma diferença talvez significativa entre a gente e os states. Lembre-se que estamos falando de um horizonte de pelo menos 12 meses.
Pela nota à imprensa o COPOM não vai mexer na taxa mesmo se a inflação se mover para o teto da meta, pelo menos por enquanto. Porém, pelo gráfico dos movimentos da Selic na última década, o histórico de manutenção da taxa não atinge um ano. E os movimentos ficaram mais frenéticos com o Tombini de presida do BACEN.
O Barecon avalia que os juros não devem subir em 2013 e, conforme for o desdobramento do cenário externo, tem alguma chance do Copom retomar o corte na taxa de juros ao longo do próximo ano.
Debate na Internet: Niteroi
Passando o debate dos candidatos à prefeito do Rio agora ao vivo na TV, demos preferência ao debate que rolou no sabado na internet.
Pela primeira vez o Portal G1 transmitiu ao vivo pela internet um debate. O programa piloto ficou com um bom formato.
Debate de presidenciaveis, prefeitaveis e etc, deve ser sem plateia, sem propagandas ou maiores frescurites.
A interatividade ainda pecou com muitas repetições de leitura de perguntas e pouco filtro nos comentarios dos internautas, alguns completamente inuteis.
Mas no geral foi satisfatorio, principalmente a parte final entitulada de pinga fogo, onde o candidato respondia apenas “sim” ou “não”. Alias, o debate poderia ser apenas dessa forma com alguns segundos para cada um justificar seu sim ou seu não.
E o debate em si?
Pra variar os candidatos não ajudam. Muito prolixos e discursando em rodeios. A primeira parte se resumiu ao embate de quem tem mais ligações com Jorge Roberto Silveira.
A pecha do Jorge Roberto Silveira ficou tão forte nesse ultimo mandato que Felipe Peixoto (PDT) nem se utilizou dos beneficios de um cara eleito 4 vezes prefeito de Niteroi (uma dessas na figura de Jorge Sampaio). Fala de “mudanças” e cita um monte de coisa sem falar nada de substancial.
Rodrigo Neves (PT) na toada de seu ex-companheiro também pouco disse. Salientou que rompeu com JRS desde a outra eleição e mostrou que tem dificuldade de respeitar regras de um simples debate.
Sergio Zveiter (PSB) adotou como tema principal o orçamento da cidade de Niteroi. Segundo Zveiter, a cidade tem um orçamento muito bom e podera fazer muitas coisas boas com a grana… para a cidade, claro.
Ja Flavio Serafini (PSOL) vai resolver todos os problemas da cidade vetando a construção de prédios acima de x andares, acabando com a especulação imobiliaria e bancando a parada do orgulho gay com a grana da Prefeitura.
Para responder as perguntas dos internautas, Rodrigo Neves e o barbudinho do PSOL conseguiram ser repreendidos pela apresentadora com um “responda a pergunta”. O menino azul do PT ainda se superou levando outro no pinga-fogo: “por favor candidato, apenas sim ou não, ok?”
Todos afirmam que farão uma “mudança do modelo atual”, pois tal modelo estaria superado. Mas nenhum sequer diz qual é o modelo atual, muito menos o proximo. Apesar de desanimador, é sempre bom assistir aos debates. Sempre tira-se algo de alguém. O Barecon recomenda. Vote consciente, seja qual for o seu voto.
Férias e falhas
A Legislação trabalhista permite a venda de até 10 dos 30 dias de “descanso”. Tais leis deveriam estender o periodo para que o trabalhador pudesse ter o direito de vender todos seus 30 dias. Não tirar férias deveria ser uma opção. A lei poderia privilegiar as negociações e acordos entre patrão capitalista e empregado. Faz parte da democracia.
Nas férias temos: i) dias onde se cansa mais que descansa; ii) período onde o fluxo de caixa é negativo; iii) fuga do habitat costumeiro; iv) convivência com o desconhecido; v) diversos riscos corridos.
Não gozar de férias e ficar trabalhando sai mais barato. São muitos gastos extraordinários. Aproveite a idade ATIVA para não ficar 1 mês inteiro sem produzir. Essa é a hora da acumulação. Descanse na aposentadoria.
Ao entrar numa de gozar férias, você, certamente, se aporrinhará com engarrafamentos monstros, estradas mal cuidadas, confusões nos aeroportos e enfrentará aqueles que não estão de férias, em casa ou como forasteiro. Vai sentir saudade da paz e tranquilidade do escritório. Férias é tão ruim que, na volta da viagem, até o reencontro com sua privada é emocionante.
Alguns executivos ficam com o pé atrás ao tirar férias pelo receio de perderem momentos de crescimento da firma, de importantes tomadas de decisões, ou até de perder posições na hierarquia da Companhia. A falha apontada da Legislação torna-se grotesca.
Férias são boas na infância. Na idade adulta é coisa de pobre.
Como conversar com o gerente da sua conta
André Bona é consultor de investimentos e dissertou no Open-Bar sobre as conversas e negociações para alternativas de investimentos com os gerentes dos bancos de varejo, os vendedores dessas lojinhas.
Por André Bona
1) Pergunte sobre CDB. Ele (o gerente) vai te dizer. Aí vc pergunta se realmente vale a pena com juros caindo. Deixa ele responder e prepare suas risadas.
No CDB, vc pode falar pra ele o seguinte: peça a taxa. Ele vai te dar, digamos, 87,5% do CDI. Aí vc fala que tem em outro banco a 100% do CDI. Por que o outro banco paga mais do que ele? Aí ele vai falar que o BB (por exemplo) é seu porto seguro. Aí vc diz: Mas quanto é a garantia do FGC? Se ele souber o que é FGC, pode nao lembrar do valor. Se lembrar do Valor, terá que usar outro argumento. Diversão garantida!
2) Pergunte depois sobre Previdência Privada (ele vai adorar, porque tem meta disso). Aí ele vai dizer que PGBL é pra quem faz declaração completa (de Impost de Renda) e VGBL é um “investimento”. Aí vc pergunta sobre a taxa de carregamento de quanto é. Se tiver e for de 3 ou 4%, significa que vc aplica e demora seis meses pra empatar o que aplicou. Tipo, vc aplica 100, mas 4 é taxa e 96 é seu. Sendo que já existe a taxa de adm. Se ele te arrumar um sem carregamento, é porque terá carregamento na saída, caso vc resgate em prazo inferior a 3 ou 4 anos por exemplo. Se fode. Dai vc pergunta sobre a tributação. Ele vai te dar duas formas, uma que começa com 35% e vai regredindo até 10% (essa ultima apenas depois do 10o. ano). Mas essa conta é PARA CADA APORTE e não para o total do tempo que vc tá contribuindo. Ou seja, até 4 anos, vc paga acima de 25%. Tá fodido. Lembrando que um fundo de renda fixa ou um outro ativo de RF começa com 22,5% e vai caindo até 15% em 2 anos. Previdência dá pra se divertir bastante. Porque ele vai querer vender essa merda.
3) Agora se vc quiser se divertir mesmo, diga que quer investir em titulos publicos. E se acha melhor a NTN-B (IPCA + sei lá, 5% aa.), LTN (pré-fixada) ou LFT (pós fixada, selic). Ele nao sabe nem o que é nem como compra essa merda.
*Nota Barecon: Tesouro Direto
4) Pode perguntar sobre Seguro de Vida e também o seguinte: cara, eu gostaria de contratar um seguro de vida resgatável. Ele vai dizer que não existe. Aí vc pega ele bonito (por exemplo): BB vende seguros da Mapfre. A Mapfre possui um seguro resgatável irado! Mas o BB nao vende essa modalidade. E detalhe que o BB é parceiro da Mapfre, cuja “fusão” criou o Grupo Segurador. Mas essa modalidade não fica disponível no canal banco, porque banco é canal de varejo, mas em qq corretora, vc compra.
Selic em 8% a.a.
O Banco Central do Brasil (Bacen) baixou hoje mais meio ponto percentual na taxa basica de juros da economia, que atinge um novo menor nivel historico. Foi a oitava queda seguida. Agora o governo usa os meios corretos para tal movimento (não pode-se baixar juros por decreto). Ja se a redução é eficaz ou não é outro papo.
Ficou ainda mais claro que a preocupação é com o desaquecimento da economia. Ha exatos 12 meses a Selic estava em 12,5% e tais reduções devem começar a serem sentidas, dado que os bancos captam mais barato e, podem emprestar mais barato.
O Bacen mostra ainda apetite para novas reduções da Selic. A industria agradece. Os contribuintes também, ja que a cada 0,50% de queda da taxa basica, o governo deixa de pagar algumas dezenas de bilhões de Reais em juros da divida publica. Quem sabe não rola uma aliviada na carga tributaria.
Bom… o caminho esta desenhado. O Barecon so espera que quando a crise europeia se resolver e a economia ganhar um bom ritmo novamente, os manés não venham com papo de aumento dos juros. Existem muitos outros instrumentos de politica monetaria para controle inflacionario. Perguntem aos teoricos cientistas politicos economicos.
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